A evolução da Segurança Corporativa e seus desafios

A Segurança Corporativa tem sua definição tradicional muito genérica e por isso devemos, inicialmente, definir alguns conceitos para esse estudo.

Considerar que Segurança Corporativa é o ramo da segurança que trata dos interesses das empresas privadas ou públicas, definição padrão e encontrada na maioria da literatura, não ambienta a abordagem de forma precisa.

Com foco em segurança privada, podemos afirmar que existem dois ambientes de atuação da segurança corporativa.


O primeiro trata-se de uma empresa única, estabelecida em um local específico, com limites geográficos, layout e modelo organizacional bem definidos. Uma única organização com seus departamentos e setores fisicamente alocados no mesmo local.

O segundo ambiente, muito mais complexo para o tratamento de sua segurança, são as empresas com mais de una unidade de negócio, muitas vezes espalhadas pelo país e em alguns casos distribuídas em vários países. As chamadas holdings possuem uma empresa que majoritariamente controla outras. De uma forma geral, as holdings não possuem receita financeira própria e dependem exclusivamente de suas subsidiárias. Este formato é mais comum que imaginamos e independente de seu tamanho, digo, espalhadas dentro de um município, estado, país ou mesmo pelo mundo, necessitam de uma gestão mais detalhada, contando com planejamento corporativo (holding) e local (subsidiárias). Neste cenário o desafio é muito maior e podemos considerá-lo como ponto de partida para um estudo da segurança corporativa e seus desafios.


Tratando inicialmente da estrutura da segurança em âmbito corporativo amplo, cabe à alta direção definir a estrutura da segurança dentro da holding, assim como a filosofia e políticas de segurança da corporação, as quais estarão fundamentadas na missão, visão e valores da empresa, assim como alinhadas ao seu planejamento estratégico.

Seguindo neste processo e alinhado às políticas de segurança, cabe definir em quais campos da segurança o gestor irá atuar. Muito embora, a segurança patrimonial seja o carro chefe de nossas funções como gestor corporativo de segurança, não podemos esquecer que a segurança do trabalho, segurança contra incêndio e segurança pessoal, também são funções e atividades de um profissional corporativo. Essas quatro áreas devem possuir estratégias próprias e programas próprios.


De acordo com estas premissas, podemos iniciar o planejamento para o desenvolvimento de um programa de segurança corporativo nas quatro áreas citadas anteriormente ou naquelas definidas pela estratégia de gestão da empresa. Estes devem conter premissas técnicas, políticas e informações que permitam ao gestor alocado nas subsidiárias gerir de forma adequada suas unidades de negócios de forma independente, porém alinhado com o material definido pela holding.


O fluxo para construção do programa de segurança corporativo não é complexo, mas extenso. Deve contar com profundo conteúdo técnico, separados pelas áreas de segurança, capítulos bem definidos, facilitando a busca de informações. Para o desenvolvimento e manutenção deste material, o qual deve ser revisado periodicamente, a organização necessita de profissional qualificado. A qualificação técnica e comportamental, ou seja, o perfil do profissional, o qual ocupará a posição de gestor corporativo de segurança deve ser o principal pilar da segurança corporativa. De seu conhecimento, disciplina, conhecimento das políticas e planejamento estratégico da empresa, dependerá o sucesso de sua gestão.


Considerando ainda, que tratamos da gestão corporativa em empresas privadas, os desafios são grandes não apenas no ambiente interno. Precisamos tratar do ambiente externo. Nos últimos anos com o cenário sócio econômico do Brasil, nosso árduo trabalho tem como foco alinhar expectativas de empreendedores com os recursos financeiros disponíveis e incrementar o relacionamento com as forças de segurança pública.


Não existe mais espaço para o gestor de segurança que após qualquer evento, exclusivamente aumenta seu efetivo, não existe mais mercado para o profissional que pretende desenvolver um programa de segurança sem uma análise de risco profunda e não mais existe tempo para aguardar uma melhora no cenário sócio econômico. O tempo é agora. Inovação, tecnologia e por que não criatividade, são as palavras de ordem na prevenção de perdas e no trabalho desafiador de um gestor corporativo de segurança.


Os desafios são potencializados pela falta de profissionais especializados no mercado, com pouca ou nenhuma formação. Muitos de nós começamos nossas carreiras empurrados pela necessidade de ganhar o sustento da vida e não por opção. Muitos nesta situação se acomodaram na busca de formação e conhecimento, e ainda hoje há pessoas que acreditam que a experiência é tudo. A experiência conta muito, mas nos dias de hoje não há lugar para amadores.


A Segurança é dinâmica, seu foco muda a cada dia, a cada crise, a cada inovação tecnológica, a cada erro ou acerto.



“Não é o mais forte ou o mais inteligente que sobrevive, mas sim o que consegue lidar melhor com a mudança. ”

Charles Darwin






Nilton Almeida


Diretor Executivo da Sospes Brasil


Gestor de Segurança Privada com mais de 30 anos de experiência em Segurança Empresarial. Considerado um dos mais experientes profissionais brasileiros em segurança e prevenção de perdas no varejo, atua no segmento de segurança há mais de 15 anos. Especialista em Gestão de Riscos e Gestão de Continuidade, atua também como instrutor e professor em cursos de extensão e formação de profissionais de segurança. Com experiencia internacional, possui certificações CES e CPSI.

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